Vida que segue, por Tom Coelho

* por Tom Coelho

Tom Coelho

“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente.”

Há alguns anos perdi meu pai, vitimado que foi por um câncer nos pulmões. Logo ele, não fumante e sem qualquer indício clínico de enfermidade. A doença evoluiu silenciosa, sendo diagnosticada tardiamente, já em fase de metástase. Lutamos bravamente por quatro longos e intensos meses, com uma esperança incontestável. Ao final, restou-nos o consolo de que seu sofrimento fora breve.

Não estamos habituados a perdas, sejam elas materiais ou não. Querer e não poder é desagradável, mas ter e perder é doloroso. Isso vale para dinheiro no bolso, um cargo executivo, uma partida jogada ou um amor que de despede.

Contudo, o fato é que no decorrer de nossas vidas, na medida em que amadurecemos, acumulamos conquistas e desilusões. E a experiência nos ensina a capitular de cabeça erguida, a aceitar algumas derrotas sem arquear os ombros, a sofrer com sabedoria. Aprendemos que somos capazes de caminhar sem pernas e voar sem asas.

Meu pai faleceu em um dia 21 de novembro. Foi sepultado no dia 22 e, na manhã seguinte, minha filha Liz nasceu. Em menos de 48 horas convivi com a tristeza e a alegria, a dor e o deleite, o choro e o riso.

Em seus últimos meses, meu saudoso pai fez questão de me presentear com mais alguns ensinamentos. Assim, quando já debilitado fisicamente não mais conseguia caminhar com suas próprias pernas, e eu tinha que ampará-lo, era como se prenunciasse os dias futuros em que ensinaria minha filha a caminhar. Também tive que ajudá-lo a tomar banho, assear-se, vestir-se e alimentar-se, tal como faria dias depois com um recém-nascido.

Disse Vinícius de Moraes: “Para isso fomos feitos: para lembrar e ser lembrados; para chorar e fazer chorar; para enterrar nossos mortos. Por isso que temos braços longos para os adeuses, mãos para colher o que foi dado, dedos para cavar a terra…”.

Vida que parte, vida que chega, vida que segue.

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O Clube do RH surgiu das necessidades e desejos de um grupo de profissionais de Recursos Humanos que sentiam a necessidade de falar de gente, entender gente e desenvolver gente.

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