Os erros de português que marcaram a votação do impeachment

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* Escrito por Diogo Arrais, professor de Língua Portuguesa do Damásio Educacional

Pelo respeito às concordâncias nominal e verbal, o voto é sim. Como registrou Marquês de Maricá:

“A virtude aromatiza e purifica o ar, os vícios o corrompem.”

Pelo respeito ao verbo – talvez irônico – auxiliar e no plural, o voto é sim. Ah! Que saudade de Alexandre Herculano:

” (…) os ódios civis, as ambições, a ousadia dos bandos e a corrupção dos costumes haviam feito incríveis progressos.”

Pelo respeito à expressão “cada um de” e plural, é preciso que o verbo fique no singular:

“Cada um dos deputados deve respeitar o seu tempo na votação.” (e não devem!)

Pelo respeito ao verbo haver – no sentido de existir -, é preciso que o verbo esteja no singular:

“Senhor Presidente, houve votos prolongados!” (e não houveram!)

Pelo respeito ao verbo ter e sua jamais relação de existência:

“Houve ou não houve um golpe?” (e não teve!)

Pela concordância ao verbo ser (nas designações de datas, horas, distâncias), é preciso concordar sim:

“Vossa Excelência, já são onze horas!” (e não é onze horas!)

Pelo respeito à representatividade de um cargo, é preciso pensar na existência da Língua; é preciso pensar na Palavra; é preciso pensar na existência de determinantes de singular ou plural; é preciso pensar no significado do discurso, no encadeamento do que forma um determinado texto; é preciso pensar em quem recebe a mensagem. É preciso pensar.

É com o sentimento de uma tristeza semianalfabética que reconheçamos um verdadeiro impeachment gramatical.

 

Fonte: Exame

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