Os anseios da Geração Y

por Sergio Cochela*

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Para eles, realização e reconhecimento profissional são fundamentais. Convivem com a internet desde a infância ou adolescência e exigem resultados rápidos. Dedicam-se a atividades extracurriculares e sempre que possível estão envolvidos em projetos e trabalhos em grupo. São muito diferentes de seus pais, que com sua idade já estavam casados, com o emprego garantido pelos próximos dez anos, em uma época onde o tempo passava devagar e o conhecimento estava em livros e manuais.

Esta é a famosa Geração Y. Hoje, alguns integrantes desse grupo ocupam cargos de gerência e tomam decisões em empresas de todos os portes. Você os contrata e precisa deles. Mas está preparado para extrair o melhor desses profissionais? O que está em jogo não é apenas seu potencial, mas sua forma de pensar e agir, que vai além dos limites de uma estrutura hierárquica verticalizada.

Nesse cenário, muitas empresas “engessadas” ainda não despertaram para a importância que as redes sociais têm para esses jovens e consequentemente para o mercado, uma vez que a gestão do capital intelectual já ultrapassa as paredes da própria organização. Enquanto excluídas dessas mídias, essas instituições estarão em desvantagem e vulneráveis a situações que fogem de seu controle. Por exemplo, um cliente critica seu produto no Twitter, mas como tomar providências sem um perfil no microblog? Talvez você nem esteja ciente de uma falha que já é do conhecimento de milhares de clientes, dos seus concorrentes e até do seu filho de 12 anos de idade.

Sedenta por conhecimento e ascensão, essa Geração traz em seu DNA a solução para um caso como o descrito acima. Ninguém a ensinou a agir dessa forma. É uma questionadora nata que interage, compete, fornece e exige feedbacks rápidos. Por isso, preza tanto a colaboração e a troca de experiências. Mas há um detalhe: apesar de trazer uma bagagem intelectualmente tecnológica de peso, não é regra que seja capaz de expor esse conhecimento por meio de uma conversa, principalmente com a “velha guarda”. Tão focada em tecnologias e tendências, às vezes exprime melhor suas ideias por meio de comunidades e fóruns de debates virtuais, os quais domina com maestria.

Para os Ys, regras como proibir o acesso a determinados sites, vetar o contato de um funcionário com seus superiores ou estabelecer uma autorização formal para a execução de certas tarefas podem parecer atitudes retrógradas e até ridículas. Por este motivo são chamados de profissionais “píeres”, pois almejam estar sempre nivelados com os demais e conversar com todos de igual para igual, independentemente de cargo ou hierarquia. E quando sentem que seu potencial é “podado” de alguma maneira, logo desejam assumir novos desafios em outro lugar – o que nunca tarda a acontecer.

Essa falta de fidelidade é algo que tira o sono de executivos dos departamentos de RH no momento de contratá-los. Afinal, qual a vantagem de adquirir um colaborador sujeito a pedir as contas em curto prazo, às vezes para trabalhar no concorrente? Infelizmente esse risco existe, porém tornar o ambiente mais 2.0 para esses profissionais é uma estratégia para retê-los. Uma boa iniciativa é estimular a colaboração dentro da empresa, por meio das próprias redes sociais ou plataformas de negócios que propiciem a interação. Além disso, também é um meio de armazenar e organizar seu histórico de colaboração e aproveitar de maneira mais completa toda a contribuição que esta nova geração pode agregar.

Ainda assim, a mera implantação da ferramenta não é o suficiente para solucionar esta questão. Algumas organizações limitam o uso de ferramentas de interatividade a determinados setores como o de pesquisa e desenvolvimento, mas é um engano acreditar que inovações só acontecem nesse perímetro. Quando não utilizada com claros critérios e propósitos empresariais, este efeito não aparece. Até porque não há como saber se as pessoas fora da rede têm o know how essencial para o sucesso de um projeto. Pode ser que ela tenha!

Hoje, não podemos mais temer que o capital intelectual seja exposto, mas sim tomar cuidado para que não seja perdido. Medo é o tipo de postura de instituições ainda não maduras e transparentes o suficiente para aceitar a necessidade de um novo modelo de gestão ideal para os dias de hoje. Estas companhias serão certamente as mais impactadas pelo choque cultural trazido pela Geração Y, pois não compreendem que a empresa é um organismo movido a ideias que devem ser oxigenadas, renovadas e dispersadas continuamente.

*Sergio Cochela, CEO da Nous Software

Fonte: Revista VocêRH

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