O papel do RH após a crise

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Autor de estudo sobre melhores práticas de RH durante turbulências, o professor espanhol José Ramón Pin fala sobre o impacto da crise econômica nas tendências do mundo do trabalho e como o RH deve atuar na retomada.

Nos últimos meses, histórias sobre retomadas econômicas bem-sucedidas em alguns países e crises intensificadas em outros se alternam no noticiário. Esses cenários antagônicos representam desafios diferentes para departamentos de RH, na opinião do professor espanhol José Ramón Pin, presidente do Centro de Estudos Internacionais sobre Organizações do Iese, escola de negócios da Universidade de Navarra, na Espanha. Na realidade brasileira, de crescimento, o professor aponta que o RH deve focar na construção de uma imagem de bom empregador, para atrair talentos, o que exige um trabalho interno e externo. Pin lançou, em janeiro, um estudo com diretrizes para empresas em momentos de crise. Entre as recomendações está o gerenciamento do capital humano, para tomar boas decisões na hora de demitir, e a necessidade de contratar pessoas multifuncionais. A crise, segundo ele, também pode afetar as prioridades dos trabalhadores, como a ênfase no equilíbrio entre família e trabalho. “Fala-se que esse equilíbrio é uma prioridade da Geração Y, mas provavelmente essa geração tem essa prioridade porque nunca passou por uma crise como a última”, afirma. Em visita recente a São Paulo, Pin falou a VOCÊ RH sobre os novos desafios na gestão de pessoas num mundo pós-crise.

Como a área de RH deve reagir agora, na retomada econômica? Cada país tem um ritmo de retomada. Falase que as economias asiáticas vão sair da crise num percurso em “V”, ou seja, elas tiveram uma forte queda, mas vão se levantar rápido. A saída das economias anglo-saxônicas vai ser em “U”: após certa lentidão, elas voltarão a subir. Já a saída de alguns países latinos vai ser em “L”: uma vez que chegaram ao fundo, a economia não se levantará facilmente. Esses três cenários são importantes na hora de pensar as políticas de RH. Se uma economia faz o trajeto em “V” ou em “U”, é necessário reduzir custos salariais, tendo em mente, porém, que em breve haverá uma guerra por talentos. Enquanto, se a economia faz o trajeto em “L”, a luta por talentos demora a voltar.

A função do RH no pós-crise varia muito pelo mundo? Dependendo do país em que a empresa está e da forma como a retomada se dá, o RH terá de tomar atitudes distintas. Nos países latinos, especialmente na Espanha e em Portugal, por exemplo, as áreas de recursos humanos estão se especializando na redução de pessoal. E, para isso, há duas condições básicas: buscar a forma mais barata possível e evitar que se deteriore muito a motivação dos que ficam. Nos países em que a saída da crise já está clara, o RH está buscando formar uma imagem de bom empregador, para atrair talentos. Essa é a situação do Brasil, onde o RH deve ajudar a criar essa imagem. Esse é um trabalho de marketing que o departamento de recursos humanos tem de fazer dentro e fora da empresa.

Como se trabalha a imagem de bom empregador? Um dos meios clássicos são os rankings de melhores empresas para trabalhar. Se a companhia é apontada pelos funcionários como um bom empregador, ela atrai gente de fora e consegue selecionar melhor. Essa posição, porém, demanda uma atitude correspondente dentro da empresa. É necessário ter uma boa imagem para os próprios empregados, o que significa sistemas de remuneração motivadores, oportunidades de carreira e comunicação transparente.

Quais são as melhores práticas para atrair e reter talentos? A mais importante é ter bons chefes. As pessoas não abandonam a empresa, mas, sim, seus chefes. É necessário ter uma escola de liderança dentro da companhia que permita que haja chefes capazes de estimular seus colaboradores ao longo de toda a linha hierárquica. E é muito importante eles compreenderem que lidam com colaboradores, e não com subordinados.

Fonte: VocêRH

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