Como se preparar para as entrevistas por vídeo

Enviar vídeos vendendo o próprio peixe se torna cada vez mais comum nas disputas por um emprego. Saiba como sair bem na fita

Você acessa seu computador ou smartphone e grava um vídeo de 90 segundos contando por que você é especial. Parece seleção do Big Brother, mas é entrevista de emprego. Em vez de chamar a atenção de produtores de TV, o desafio está em convencer recrutadores.

A seleção de talentos mudou. Aquelas etapas longas e burocráticas estão sendo substituídas por processos mais tecnológicos. Isso ocorre por duas razões, segundo um relatório da consultoria Deloitte. Uma é o avanço da inteligência artificial, que possibilita às empresas aperfeiçoar metodologias. Outra é a entrada dos jovens no mercado de trabalho, que obriga as mesmas companhias a se reinventar.

Assim, dinâmicas de grupo são substituídas por jogos virtuais e conversas com o RH perdem espaço para as filmagens caseiras. “Os vídeos proporcionam uma experiência mais atraente e confortável a quem procura emprego”, escrevem os autores do estudo. Na visão da Deloitte, além de as gravações serem mais práticas do que os encontros presenciais, elas ajudam a melhor identificar futuros funcionários, economizando dinheiro e reduzindo o tempo de contratação.

Os vídeos também são mais seguros do que as conversas não padronizadas entre o profissional e os recrutadores, pois obrigam o candidato a responder de maneira objetiva a perguntas direcionadas — e permitem aos selecionadores tirar a teima revendo o arquivo de maneira minuciosa.

“Esse movimento surgiu nos Estados Unidos e chegou timidamente ao Brasil há cerca de seis anos. Agora  cresce”, afirma André Miceli, coordenador do MBA de marketing digital na Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. Projeções mostram que até 2020 80% do tráfego digital será de vídeos. Para André, a estatística deverá se estender à seleção de pessoas, com oito em cada dez processos usando essa ferramenta.

Na consultoria EY (antiga Ernest & Young), com 5 000 funcionários no Brasil, 40% das entrevistas de emprego conduzidas no escritório de São Paulo já ocorrem pelo Skype. Conversa olho no olho? Só na reta final. “O vídeo permite observar o comportamento, a forma como o profissional se expressa e sua postura. Ainda assim, podemos perder alguns detalhes, como movimentos sutis que demonstrem nervosismo. Então, sempre fazemos um encontro presencial com o candidato”, afirma Elisa Carra, diretora de RH da EY.

Luz, câmera, ação

Itaú, Natura, Via Varejo e Drogasil são exemplos de grandes corporações que usam vídeo em alguma etapa do processo seletivo.

As startups especializadas em soluções para gestão de pessoas (as HRTechs) são as principais responsáveis por levar o modus operandi de reality show ao recrutamento. Entre elas estão Kenoby, Connekt e Apponte. “O modelo serve para avaliar competências técnicas ou inglês”, diz Celson Hupfer, CEO da Connekt. Já Marcel Lotufo, sócio-fundador da Kenoby, diz que as gravações são solicitadas nas etapas mais avançadas do processo para facilitar a vida do RH. “Os vídeos funcionam melhor no final, quando boa parte dos candidatos já foi eliminada na análise de currículo ou nos questionários online.”

Mesmo com propostas diferentes, os empreendedores recomendam aos interessados que façam vídeos curtos, de até 2 minutos, apresentando a si mesmos ou respondendo a perguntas estratégicas — a filmagem pode ser feita no computador ou no celular. Às vezes, as companhias só dão uma chance ao profissional: depois de apertado o play, não dá para voltar atrás nem editar o que foi gravado.

Por enquanto, o recurso tem sido usado com candidatos em início de carreira, como estagiários, trainees, analistas e coordenadores. Rafael Henrique, de 28 anos, passou por esse tipo de recrutamento há dois meses. Para conquistar a vaga de analista de gestão de portfólio no banco Itaú, teve de fazer cinco vídeos respondendo a questões técnicas e comportamentais.

Sua tática foi filmar em casa, num ambiente tranquilo e bem iluminado. “Isso me ajudou a manter a calma e a responder com autoridade”, afirma. Segundo ele, além de economizar no tempo do deslocamento, os vídeos também o ajudaram na posterior entrevista pelo Skype. “Já estava familiarizado com as exigências, então a conversa foi mais assertiva e produtiva para ambos os lados.”

Desconfiança

Embora os vídeos sejam cada vez mais comuns nos processos seletivos, Mário Custódio, gerente de treinamento da consultoria Robert Half, vê o excesso de gravações com reserva. “A tecnologia ajuda, dando agilidade, mas atrás dela existe um ser humano e o contato pessoal não pode ser descartado.”

A analista financeira Gisele Tayar Varella, de 28 anos, era resistente à ideia de gravar a si mesma e já havia desistido de outros processos por causa disso. Até que resolveu encarar a câmera para conseguir uma vaga na Agente Imóvel, startup de imóveis.

Ela teve de fazer cinco vídeos, sendo um deles em inglês, de 1 minuto cada um, respondendo a questões como: “O que você faria numa manhã de segunda-feira?” Gisele escreveu um roteiro para cada pergunta e leu os textos em voz alta. “Depois, filmei duas vezes para testar, porque estava atropelando as palavras.” Apesar de ter se empenhado nas gravações, a conversa presencial, na qual detalhou sua experiência na Austrália, foi decisiva. Como o atual gestor é sueco, eles buscavam alguém com vivência internacional.

Uma vez que as gravações podem ser o passaporte para a sonhada vaga de emprego, é melhor se preparar. Veja as dicas para se sair bem na fita.

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