4 passos para estabelecer (e alcançar) melhores metas de vida e carreira

metas

Estabelecer metas já é algo bastante natural entre os brasileiros. Não apenas em ambientes corporativos, mas também em planos de governo, no noticiário esportivo e nas famosas resoluções de ano novo.

Por mais que o conceito esteja disseminado, porém, nem sempre o aplicamos com sucesso em nossos objetivos de vida e carreira. Por que isso acontece? O que falta para que nossas resoluções de ano novo tenham o mesmo grau de sucesso que as metas das empresas que são referência na utilização deste sistema?

A chave está em entender que, embora seja importante ter uma meta bem definida e clara, ela também precisa estar relacionada a algo que verdadeiramente nos move. Caso contrário, não iremos nos dedicar com o mesmo afinco para o seu atingimento e provavelmente teremos que repeti-la no dia 1º de janeiro do ano seguinte.

Segundo o livro “Metas que desafiam”, de Mark Murphy, uma meta que verdadeiramente estamos dispostos a atingir e colocar muito mais esforço tem quatro características em comum. Ela deve trazer uma conexão emocional (Heartfelt), ser tangível (Animated), necessária (Required) e difícil (Difficult) — traduzidas no acrônimo HARD.

Em primeiro lugar, quanto mais forte for nossa conexão emocional com a temática da meta, mais difícil será não darmos importância a ela. Lembro-me de um caso de um bolsista da Fundação Estudar que perdeu o pai aos 15 anos, vítima de um câncer, e hoje tem por objetivo de vida estudar tratamentos para a doença. Sua conexão com o tema é tão forte, que dificilmente ele trocará essa meta por outra. Isso faz com que, mesmo diante das adversidades, ele persista, até um dia conquistar o que almeja.

A segunda característica da meta HARD é a tangibilidade. Por vezes estabelecemos objetivos muito amplos, como “quero me desenvolver profissionalmente”. Por mais que seja um desejo genuíno, a descrição é tão abstrata, que não conseguimos enxergar o momento em que o atingimos e nem o que precisamos fazer para alcançá-lo. Essa é uma das principais razões pelas quais acabamos deixando a meta de lado. Para que esse objetivo realmente nos mova, precisamos descrevê-lo com o máximo de detalhes possíveis, até conseguir visualizar exatamente o que acontecerá no momento em que ele é alcançado.

Veja, por exemplo, o caso de jogadores de futebol. Aqueles que tendem a ser bem-sucedidos, no início do campeonato imaginam exatamente como será o momento em que marcam o gol da vitória, sobem ao pódio e levantam a taça. É uma imagem tão vívida, que atiça os seus instintos e lhes deixam mais motivados para vencer os desafios necessários para chegar lá.

O terceiro ponto é a necessidade do objetivo. Ou seja, uma meta que esteja ligada àquilo que julgamos importante tem mais chance de ser atingida. Ela precisa ter um prazo para acontecer ou trazer algum senso de urgência. Enquanto não for realizada, as consequências disso para mim, para a organização em que trabalho, para o ambiente ao meu redor ou mesmo para o mundo serão extremamente negativas. Por outro lado, os benefícios da sua realização devem superar todos os custos de fazê-lo acontecer.

As motivações para identificar essa importância podem ser as mais diversas. Um engenheiro pode enxergar benefícios urgentes em reduzir o volume de água usado em seu projeto porque ele sente que os gastos da sua área estão mais elevados do que deveriam, ou ele pode se sentir motivado pela redução do impacto da companhia na natureza. De toda forma, sua meta ganha um senso de urgência que impulsiona sua realização.

Por fim, a quarta e última característica é dificuldade. O ser humano é movido por desafio — não é à toa que estamos ansiosos pelos recordes a serem quebrados na próxima Olimpíada —, e estabelecer uma meta fácil não nos faz sair do lugar. Se já sabemos que algo é fácil de atingir, acabamos protelando. A meta ideal é aquela com um bom grau de dificuldade. Nem tão difícil a ponto de nos paralisar de medo, nem tão fácil a ponto de não nos fazer mover.

Portanto, antes de estabelecer seu próximo objetivo de carreira, pergunte-se primeiro:

  • Esse é um tema com o qual eu tenho forte conexão emocional?
  • Meu objetivo está bem definido a ponto de eu conseguir imaginar com clareza o momento em que vou atingi-lo?
  • Realmente acredito que o atingimento dessa meta é importante e urgente?
  • Esse objetivo é difícil o suficiente para fazer com que eu me movimente, sem ao mesmo tempo me paralisar?

Se as suas respostas forem sim para os quatro itens acima, considere-se pronto para correr atrás daquilo que realmente lhe move. Caso ainda não esteja lá, pare e reflita: será que esse é realmente um objetivo que quero ter para minha carreira?

*Tiago Mitraud é diretor executivo da Fundação Estudar, uma organização sem fins lucrativos que, há 25 anos, apoia a carreira de universitários e recém-formados de todo o Brasil, oferecendo a jovens talentos bolsas de estudo, cursos presenciais e portais de conteúdo

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