3 regras de ortografia que se aprendem na infância

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Professora e alunos: “tempo dos cadernos coloridos, da caneta quadricolor”

* Escrito por Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional

Antes de “p” ou “b”, só se usa “m”. Foi exatamente com essa regra que nasceu, em mim, a paixão por regras ortográficas. Dizem os analistas que paixão é sentimento passageiro, assim como a felicidade. No entanto, duvido. Se vivo estou, devo à Língua.

O mundo estava em 1988, quando a professora (também chamada de tia) Leonora surgia com seu penteado milimétrico, camisa estampada, ombreiras que acentuavam as formas, dezenas de pulseiras que faziam alegres sons e uma caixa de giz artesanal. Dizia com todas as letras: “Meninos, antes de ‘p’ ou ‘b’, vem ‘m’! Essa é a regra mais importante do ano!”

Nos ditados, a regrinha facilitava muito. Bastava recorrer à mente e ao coração (já que lembranças envolvem muito do sentimental) para que viesse o vocábulo adequado à língua-padrão.

Houve ainda o tempo da belíssima professora Elaine: cedilha não ocorre antes de “e” ou “i”, porque a “Ceci” não usa brincos. Meu Deus! Como essa regra reflete a paixão, pela Ortografia, nada passageira em mim.

Elaine, além de excelente didática, tinha uma letra da qual a Geometria sente inveja até hoje: linda, poética, harmoniosa. Não bastasse isso, essa querida professora cuidava para que o pó do giz não viesse aos seus alunos; por isso, sempre andava com um pano úmido, a fim de repelir a excessiva sujeira.

Com a tão temida Bete, pensei que fosse trair o meu amor gramatical, mas não passou de um susto. Professora Bete fazia questão de repetir: “A com acento grave tem relação direta com ‘para a’!” Por isso, mentalmente ainda uso tais conselhos para agradecer à minha paixão: declaração enviada à (para a) Língua.

Tempo bom! Tempo do achocolatado em caixinha, com o canudinho e aqueles barulhos saudosistas da sucção. Tempo dos cadernos coloridos, da caneta quadricolor, do uniforme que misturava azul e branco, da disciplina, dos livros do Sargentim, dos ditados que hoje são sacrificados pela vertente moderna dos Linguistas. Tempo de Leonora, Elaine e Bete. Tempo de P, de B, de Cedilha, de Grave, de Amor.

 

Fonte: Exame

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