4 dicas para desenvolver sua marca pessoal e fugir dos clichês

Descubra como contar histórias relevantes sobre si mesmo de forma inovadora

Para algumas pessoas, a autopromoção se assemelha a uma tarefa: sabemos porque é necessária, mas nos sentimos um tanto quanto reticentes em relação a isso. O desenvolvimento de uma “marca pessoal” pode parecer artificial e não autêntico, e até mesmo um pouco desonesto.

“As pessoas se preocupam com o fato de que se vender pode dar uma falsa impressão de si mesma”, diz Suzanne Muchin, professora adjunta da iniciativa de arquiteturas de colaboração da Kellogg School e coapresentadora do podcast The Big Payoff. “No entanto, não é nada disso. Uma excelente venda requer a mais pura forma de autenticidade”. Para Muchin, é nas histórias que escolhemos contar aos outros sobre nós mesmos que essa autenticidade vem à tona. Histórias que comunicam nossos valores, convicções, pontos fortes e objetivos.

“Seja você empreendedor, candidato a emprego ou defensor de uma nova ideia, ser capaz de apresentar uma boa narrativa é uma das habilidades necessárias para se destacar”, diz Muchin.

As histórias que promovem a sua marca pessoal devem ser suficientemente universais para poderem ser usadas em vários contextos. “Pense na sua marca pessoal como uma maleta, um eu autêntico que viaja”, diz Muchin.

Porém, não é tarefa simples desenvolver esse tipo de histórias. Como saber por onde começar? Como saber se está demasiadamente pessoal? Muchin oferece algumas dicas.

Transforme suas qualidades em histórias

Um erro comum que a maioria de nós comete ao tentarmos nos vender é que dependemos de listas de qualidades para caracterizar nossos pontos fortes. Os mais comuns são: adaptável, criativo, organizado, bom comunicador, verdadeiro automotivado.

“Se pensasse em um apanhado de palavras que as pessoas usam para se descrever, como uma nuvem de palavras”, diz Muchin, “veria a frequência com que usamos os mesmos entediantes substantivos e adjetivos”.

É por isso que usar história é uma tática muito mais eficaz. Uma coisa é dizer que você é adaptável, outra coisa é descrever as várias experiências de vida que moldaram sua adaptabilidade.

No entanto, uma marca pessoal forte não significa apenas demonstrar seus pontos fortes profissionais. Muchin sugere que você faça a seguinte pergunta a si próprio: “Qual é a minha proposta de valor exclusiva para a pessoa sentada à minha frente? Qual é a promessa que faço a elas quando entro na sala? A pergunta mais incisiva que alguém pode se fazer é “Como eu quero ser lembrado?” Se fizer essa pergunta – que é, em última análise, uma versão de “o que me faz especial?” – suas histórias começarão a emergir.

Por exemplo, em um episódio recente do seu podcast, Muchin falou sobre “Office Hours” (horário comercial) com uma jovem profissional que tinha interesse em seguir uma carreira na área da saúde, mas que estava tendo dificuldades para identificar o que a fazia especialmente preparada para se diferenciar de seus pares. Em um momento revelador em tempo real durante o programa, ela reconheceu que as carreiras de seus pais naquele mesmo setor (e em sua empresa atual) moldaram sua qualidade mais característica: sua confiança em entrar em qualquer sala com um nível de profissionalismo e adaptabilidade. Ao aprender a contar essa história de forma autêntica, ela conseguiu conectar sua história pessoal a um destaque da sua marca pessoal.

Aceite se sentir desconfortável

Às vezes, o que nos qualifica como opção para uma oportunidade específica é algo muito pessoal: nossas experiências passadas, por exemplo, ou uma convicção profunda. No entanto, muitos de nós temos aversão a nos aprofundarmos, o que explica por que muitos não conseguem ser autênticos quando vendem a sua imagem.

“A magnitude da autoconsciência necessária para descobrir a história única de uma determinada pessoa pode deixá-las desconfortáveis”, diz Muchin. “Mas isso faz parte necessária do processo: você precisa estar disposto a se sentir desconfortável. Não se trata apenas de sociabilidade. Trata-se de cavar a fundo a sua história para descobrir o que o torna singular”.

Isso não significa necessariamente compartilhar seus segredos mais íntimos. O truque é destacar partes de si mesmo que o ajudarão a se conectar com os outros em nível profissional. Às vezes, ser honesto significa permitir-se a ficar vulnerável, mas você não quer compartilhar coisas demais e deixar a outra pessoa sem graça.

Por exemplo, recentemente Muchin conheceu um jovem profissional que estava aprimorando suas habilidades de networking. Ele expressou que adorava a sensação de se dar “inteiramente” a um projeto, e comparou isso a participação em um regime de treinamento disciplinado. A história real foi que este estudante havia competido em vários triatlos e estava naquele momento treinando para outro. Mas, em vez de se gabar de ser um “Homem de Ferro”, ou de contar uma história simples sobre ética no trabalho, ele conseguiu incorporar sua paixão pelo treinamento e a aplicação do mesmo no trabalho para compartilhar uma qualidade memorável e contar uma história inesquecível.

Ainda assim, com narrativas, há poucas regras inflexíveis e o contexto é tudo. Nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio entre o excesso ou carência de compartilhamento, e é por isso que é tão importante se preparar com antecedência, diz Muchin. Se fizer o trabalho de autodescoberta com antecedência e elaborar um roteiro mental, será mais fácil atingir o ponto ideal.

Isso também o ajudará a estar presente quando chegar a hora de se conectar com outras pessoas.

“A empatia é fundamental nessas situações”, diz ela, “e a única forma de se ter empatia é estar presente. É mais fácil estar presente quando você confia na sua própria história”.

Tenha um roteiro e seja disciplinado

Depois de refinar as histórias que reforçam sua marca pessoal, o próximo desafio é aprender como articulá-las em conversas durante entrevistas de emprego, eventos de networking ou qualquer outra situação em que o objetivo é vender as suas qualidades. Cada resposta que você dá é uma oportunidade para contar uma de suas histórias.

“Sempre que entrar em uma sala, pergunte-se ‘Que tipo de conversa quero ter?’ É preciso ter um roteiro sobre como chegar à sua história e como essa história o leva a uma conversa que envolva os demais”.

Muitos cenários exigem alguma versão de autenticidade engenhosa. Pense nos shows de entrevistas de televisão à noite, que são planejados com antecedência, mas que não são totalmente roteirizados. O objetivo é proporcionar a si mesmo a plataforma e o contexto onde você desempenhará o seu eu autêntico.

Muchin compara isso à abordagem que adota quando se prepara para facilitar um painel ou uma conversa informal. Após muita preparo sobre os principais pontos que deseja abordar, bem como as histórias que ela quer contar ou repassar aos demais, Muchin se dedica ao mapeamento do “ritmo” da conversa com antecedência ao invés de redigir “observações” ou um roteiro completo. “Você quer ser autêntico, mas também precisa ser artístico”, diz Muchin. “Isso requer disciplina”.

Aprenda a gostar de compartilhar

É verdade, desenvolver uma marca pessoal e as histórias que a tornam bem-sucedida pode exigir um certo esforço. Porém os retornos não se limitam à sua carreira. Muchin acha que as pessoas não devem se esquecer dos benefícios intangíveis de compartilhar a própria experiência subjetiva.

“Falar sobre nós mesmos de uma determinada maneira pode ser extremamente gratificante, estimula a atividade cerebral e aumenta nossos níveis de dopamina”, diz ela. De acordo com um estudo de 2012, compartilhar informações sobre nós mesmos ativa os caminhos neurais associados a recompensas, sugerindo que achamos prazerosamente inerente fazê-lo.

“O modo de contar histórias ainda é nossa configuração padrão, então não surpreende que seja o modo em que estamos quando somos mais autênticos. Mas, às vezes, precisamos nos lembrar de como pode ser poderoso e de que todos nós podemos desfrutar de tudo isso”.

Via Carreira Exame

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O Clube do RH surgiu das necessidades e desejos de um grupo de profissionais de Recursos Humanos que sentiam a necessidade de falar de gente, entender gente e desenvolver gente.

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